terça-feira, 11 de outubro de 2016

A PSICOMOTRICDADE E O PODER DO TONUS MUSCULAR


A psicomotricidade é a ciência que tem como objeto de estudo o homem através do seu corpo em movimento e em relação ao seu mundo interno e externo. Está relacionada ao processo de maturação, onde o corpo é a origem das aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas. Contrapondo-se a problemática cartesiana, a qual coloca em oposição “corpo e alma”, e inclusive afirmando sua unidade, este campo do conhecimento veio em contrapartida superar esta oposição, ressaltando a tripolaridade do homem: o intelectual (aspectos cognitivos), o emocional (aspectos afetivos) e o motor (aspectos orgânicos), propondo uma reeducação psicomotora ao desenvolver o aspecto comunicativo do corpo, dando ao indivíduo a possibilidade de dominar seu corpo, economizar suas energias, bem como completar e aperfeiçoar seu equilíbrio. 
 
Delineia-se agora a articulação das duas substâncias “alma e corpo”. A “Glandula Pineal” agora põe a alma em cotato com o corpo e é a responsável pelo registro anímico das sensações provenientes dele, por outro lado a alma age sobre a glândula pineal para dar ordens ao corpo e comandar seus movimentos, o que não impede que o corpo tenha uma vida própria: sonho, reação de fuga, rubor. Já o medo, a loucura e a doença configurariam a influencia dos movimentos corporais sobre a alma. O louco é aquele ser cujo “Eu penso” foi totalmente subvertido pela vida corporal.

A consciência bergsoniana, na esteira de Biran fundamentou a inteligencia prática, fornecendo enfoque ao comportamento sensório motor. 
 
Com base nos trabalhos de Charcot, Freud define de maneira rigorosa o conceito de “subconsciente”, como um mecanismo de papel importante na construção da personalidade, constituído pelo conjunto de elementos na socialização progressiva na criança nos primeiros tempos da infancia, influindo com todo seu peso, no destino dessas “pulsões”, uma grande parte das quais não terá acesso à vida consciente. Descobre-se que o indivíduo deixa de estar sujeito aos ditames da vontade, mas que seus gestos, atitudes, comportamentos e reações corporais decorrem frequentemente de motivações inconscientes.

O “Esquema Corporal” que significa imagem do corpo, traz a pauta o conceito psicomotor de “autoconsciencia”, e embasado pelos estudos dos neurologistas informa que com Bonnier (1833) aparece a ideia de uma representação topografica do corpo, onde as alterações patológicas determinam o surgimento de certos distúrbios.

Seguido pela imagem do corpo de Shilder teoria do corpo, onde este é um resultado das experiências vividas por meio da comunicação com o seu meio circundante, “o corpo libidinal” de Freud, iluminando o papel essencial da mãe como pessoa central sob a qual a criança organiza suas percepções, dirige suas tendências e formula suas exigências.

Ao descrever o “tono” enquanto componente fundamental na abordagem Psicomotora do sujeito humano, Claude Coste apresenta-o como protagonista nos fenômenos nervosos complexos, participante de todas as funções motrizes, (equilíbrio, coordenação e disssociação, etc...) sobretudo veículo de expressão das emoções.

O papel do psicomotricista portanto, consiste em fazer o sujeito tomar consciência de suas possibilidades e de seus limites, desenvolvendo suas potencialidades expressivas pela libertação do peso das mentiras, das ameaças e das recusas inscritas em seu corpo.

  Jean Cloude Coste destaca que a "terapeutica psicomotricista" considera a visão holística do ser, uma personalidade global, incluindo nela a compreensão do movimento humano, a gestualidade enquanto comunicação e modo de ser, e inclusive seus sinais de sociabilidade e de sua adaptação ao mundo em que tem de viver, fatores estes que alertaram a necessidade de uma técnica apropriada de reeducação que se apoie no gesto, propondo uma visão original do homem, mesmo considerando um estudo ainda em progresso e carente de mais análises e aprofundamentos que sustente um esforço de precisão, rigor e eficácia já comprovados.

Resenha  do livro: 


COSTE Jean-Cloude. A psicomotridade . 2ª Edição. Zahar Editores, Rio de Janeiro, 1981, 95p.
 
 
 

 

domingo, 2 de outubro de 2016

ADOLESCÊNCIA NA VISÃO PSICANALÍTICA


Na concepção psicanalítica, a adolescência consiste numa etapa da vida em que o indivíduo busca estabelecer sua identidade adulta, o que pressupõe uma identidade anterior, que pode ser chamada de identidade infantil, é um processo definido basicamente como um momento lógico (e não simplesmente cronológico). O entendimento de tal passagem para a vida adulta pressupõe a compreensão de alguns conceitos freudianos fundamentais: conflito psíquico, luto, castração, complexo de Édipo e elaboração psíquica.
O conceito de conflito psíquico é descrito por Laplanche e Pontalis (1994) como a oposição entre exigências internas contrárias, podendo ser manifesto (entre um desejo e uma exigência moral ou entre dois sentimentos contraditórios).

O conceito de elaboração psíquica, por sua vez, é utilizado por esses autores para designar o trabalho empreendido pelo aparelho psíquico, a fim de controlar e dominar as excitações que lhe chegam.
Freud afirma que o luto é um trabalho psíquico que visa a desinibir e libertar o ego da oposição de exigências entre o teste da realidade e uma posição libidinal que “teima” em continuar.
Sobre o complexo de castração, Laplanche e Pontalis (1994) afirmam que está “centrado na fantasia de castração, que proporciona uma resposta ao enigma que a diferença anatômica dos sexos (presença ou ausência de pênis) coloca para a criança.”.
E o complexo de Édipo que, segundo Laplanche e Pontalis (1994), é o “conjunto organizado de desejos amorosos e hostis que a criança sente em relação aos pais”. E esse mesmo complexo seria revivido na puberdade; ou seja, revivido na adolescência. Afastando-se do pai pela ameaça de castração e da mãe pela interdição de realizar o incesto.
O adolescente necessita reeditar sentimentos e vínculos primários em relação às figuras parentais, revisando, assim, seus objetos internos e sua identidade. De acordo com a teoria psicossocial de Erikson, a tarefa mais importante da adolescência é a construção da identidade. O grande desafio do adoslecente é a construção/consolidação da sua identidade, a escolha profissonal que lhe realize, a escolha amorosa e a integração das estruturas socioculturais da sociedade em que se vive.
Maurício Knobel observa que o adolescente vivencia “desequilíbrios e instabilidades extremas” com expressões psicopatológicas de conduta, reunidas sob a denominação de “síndrome normal da adolescência” ou “normal anormalidade da adolescência”.
É um período de transitório entre a pubertade e o estado adulto de desenvolvimento. Nas diferentes sociedades pode variar como varia o reconhecimento da condição adulta que se dá a um individuo, e haverá condições culturais que favorecerão ou dificultarão este processo de mudanças. Mas a característica básica, é que é um período que obriga ao indivíduo a reformular os conceitos que têm sobre si mesmos e que o leva a abandonar sua auto imagen infantil e a projetar o futuro de sua vida adulta. 
 
Poderemos citar o sintoma da “Tendência Grupal”:
Em sua busca pela identidade adolescente, este recorre como um comportamento defensivo a busca de uniformidade, que poderá brindar segurança e estima. Há um processo de sobreeidentificação massiva, onde todos se identifican com cada um. Às vezes é tão intenso que o indivíduo pertence mais ao grupo daqueles de mesma idade que ao da família. Se inclinando mais aos ritos e costumes do grupo com relação a modas, preferencias e costumes.
 
E baseado em minhas experiências profissionais e pessoais posso ressaltar como exemplo, as costumeiras “panelinhas” escolares do colegial, nas quais identificamos vários grupos, com seus códigos, cotumes, vestimentas, caracterizando as diversas tribos buscando autoafirmar-se em meio a tantos outros adolescentes fortalecendo seus processos de individuação, sejam eles mauricinhos, nerds, hippies, roqueiros, evangélicos e etc.
 
REFERÊNCIAS:

ABERASTURY, Arminda, KNOBEL, Mauricio Knobel. El síndrome de la adolescencia normal. Un enfoque psicoanalítico.” (Editorial Paidós (1971).

DOMINGUES, Mariana Rosa Cavalli , DOMINGUES, Taciano Luiz Coimbra, BARACAT, Juliana. UMA LEITURA PSICANALÍTICA DA ADOLESCÊNCIA: MUDANÇA E DEFINIÇÃO , REVISTA CIENTÍFICA ELETRÔNICA DE PSICOLOGIA– ISSN: 1806-0625 Ano VII – Número 12 – maio de 2009 – Periódicos Semestra

FESTUGATO, Veruska de Lima. O Adolescente na ótica da Psicanálise. Acessado em: 25/09/2016 , Disponível em:

http://www.apoioclinica.com.br/noticias/item/291-o-adolescente-na-%C3%B3tica-da-psican%C3%A1lise.html

ZACARÉS, J. J. (1996). Una revisión de las medidas utilizadas en el estudio de la formación de la identidad en la adolescencia. In M. Marín & F. J. Medina(Orgs.), Psicología del desarrollo y de la educación: la intervenciónpsicoeducativa (pp. 251-263). Sevilla: Eudema.
 


 

 






 

sábado, 20 de agosto de 2016

A Construção da NACIONALIDADE

  O nacionalismo é uma ideologia a qual podemos dizer moderna com antecedentes antigos: surgiu numa Europa pós-medieval, a partir da superação dos feudos pelo Mercantilismo, com as Reformas religiosas – fatos históricos estes que permitiram, ou até mais, produziram o surgimento de culturas diferenciadas por toda a Europa, e na América quase embrionariamente nos povos ameríndios quando uniam-se em torno de um chefe para produção e bem estar comum.

  No século XIX, muitos intelectuais decorrente das várias transformações sofridas pelo mundo, ressalto a revolução liberal, passaram a discutir quais seriam os elementos históricos e culturais que poderiam definir a identidade nacional. Muitas vezes, buscando a construção de um argumento forte, os pensadores do nacionalismo procuravam na língua, nos mais diversos comportamentos e na História a definição do perfil comum dos indivíduos pertencentes à nação. Não raro, argumentos de ordem mítica reforçavam um ideal de superioridade a ser compartilhado.

  Napoleão usou a educação como grande ferramenta, instituindo ainda o ensino primário obrigatório, sob a responsabilidade do Estado, reorganizando o ensino na França, este passou a ter como a principal missão a formação de cidadãos capazes de servir ao Estado. A educação foi utilizada como meio de controle do comportamento político e social dos cidadãos. Criou escolas em diversos níveis, o que fortaleceu culturalmente a burguesia e garantiu uma base educacional comum aos franceses de diversas regiões do país.Devemos também destacar que o sentimento nacional provocou transformações profundas na relação das nações entre si. O verdadeiro nacionalista deveria sempre acreditar e perceber que a soberania de sua nação estava acima dos interesses particulares e das ameaças estrangeiras.


  Bresser nos afirma que a ideologia nacionalista prepondera entre os povos, e mesmo emergindo o fator econômico e político como mais abrangente na atual conjuntura do capitalismo global, o NACIONALISMO ainda que muitas vezes disfarçado e negado exerce o papel central, e para exemplificar isso cita o icônico exemplo da Guerra fria, onde o conflito ideológico principal parecia ser liberalismo e socialismo, mas assim que a União Soviética entrou em colapso, ficou claro que o conflito entre EUA e URSS foi mesmo de dois Nacionalismos. (...e que podemos percebê-lo em suaves entrelinhas até hoje)


  Segundo Thiesse (2001-2001, p. 8-9) existe um "check-list", um código de símbolos internacionais que define o que todas as nações devem ter : Uma História, uma série de heróis modelos de valores, uma língua, monumentos culturais, um folclore, lugares memoráveis. uma paisagem típica, especialidades culinárias, costumes. Uma lista superficial de adornos, mas que são essenciais para uma auto-representação.


  Chauí apud Kerber em seu artigo salienta sobre o papel dos meios de comunicação de massa nesta tarefa auxiliando na construção do mito recortando o Período Varguista, o autor aponta para o poder de mobilização do mito numa sociedade “tomada” pelos meios de comunicação de massas, e podem ser utilizados tanto nas mobilizações políticas quanto nas para o consumo (Chauí, 2000, p. 86). Os meios de comunicação de massas foram fundamentais na construção destes elementos simbólicos das nações. Eles tiveram uma grande importância no sentido de tornar as representações sobre a nação não mais restritas a um público letrado, mas difundidas pela totalidade da população.


  E numa visão intimista percebemos que nossas mídias populares atualmente, enquanto prestadores de serviço para nação, não estão fazendo seu dever de casa corretamente...e devem ter lá os seus motivos, não vou aqui entrar na seara da teoria da conspiração. (...é pauta para outros estudos!)


  Bresser nos diz também que o nacionalismo é uma ideologia originalmente burguesa, mas com uma conotação popular, já que só faz sentido quando, capitalistas, trabalhadores e classe profissional superam de alguma forma seus conflitos internos, partilham de um objetivo comum, e se solidarizam na competição com as demais nações.


  Concluindo deixo a pergunta: que faltaria a nós para sentirmos ainda mais brasileiros?!


Deixe seu breve comentário!!!


  Grande abraço e da próxima vez te convido para tomar um café, ou chá se preferir!!! (rsrsrs)










Referencias:

BRESSER-PEREIRA, Luiz Carlos. Nacionalismo no Centro e na Periferia do Capitalismo. São Paulo: Revista Estudos Avançados, 22 62, janeiro-abril 2008 pp.177-178, no dossiêNação e Nacionalismo. Instituto de Estudos Avançados da USP. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ea/v22n62/a12v2262.pdf

KREBER, Alessander. Nacionalismo e ufanismo na Argentina e no Brasil dos anos 1920 e 1930 através da trajetória artística de Carlos Gardel e Carmen Miranda. Disponível em:
http://revistas.unisinos.br/index.php/historia/article/view/5436

Nacionalismo. Wikipédia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Nacionalismo