Na
concepção psicanalítica, a adolescência consiste numa etapa da
vida em que o indivíduo busca estabelecer sua identidade adulta, o
que pressupõe uma identidade anterior, que pode ser chamada de
identidade infantil, é
um processo definido basicamente como um momento lógico (e não
simplesmente cronológico). O
entendimento de tal passagem para a vida adulta pressupõe a
compreensão de alguns conceitos freudianos fundamentais: conflito
psíquico, luto, castração, complexo de Édipo e elaboração
psíquica.
O
conceito de conflito
psíquico
é descrito por Laplanche e Pontalis (1994) como a oposição entre
exigências internas contrárias, podendo ser manifesto (entre um
desejo e uma exigência moral ou entre dois sentimentos
contraditórios).
O
conceito de elaboração
psíquica,
por sua vez, é utilizado por esses autores para designar o trabalho
empreendido pelo aparelho psíquico, a fim de controlar e dominar as
excitações que lhe chegam.
Freud
afirma que o luto é um trabalho psíquico que visa a desinibir e
libertar o ego da oposição de exigências entre o teste da
realidade e uma posição libidinal que “teima” em continuar.
Sobre
o complexo de castração, Laplanche e Pontalis (1994) afirmam que
está “centrado na fantasia de castração, que proporciona uma
resposta ao enigma que a diferença anatômica dos sexos (presença
ou ausência de pênis) coloca para a criança.”.
E
o complexo de Édipo que, segundo Laplanche e Pontalis (1994), é o
“conjunto organizado de desejos amorosos e hostis que a criança
sente em relação aos pais”. E esse mesmo complexo seria revivido
na puberdade; ou seja, revivido na adolescência. Afastando-se do pai
pela ameaça de castração e da mãe pela interdição de realizar o
incesto.
O
adolescente necessita reeditar sentimentos e vínculos primários em
relação às figuras parentais, revisando, assim, seus objetos
internos e sua identidade. De acordo com a teoria psicossocial de
Erikson, a tarefa mais importante da adolescência é a construção
da identidade.
O grande desafio do adoslecente é a construção/consolidação da
sua identidade, a escolha profissonal que lhe realize, a escolha
amorosa e a integração das estruturas socioculturais da sociedade
em que se vive.
Maurício
Knobel observa que o adolescente vivencia “desequilíbrios e
instabilidades extremas” com expressões psicopatológicas de
conduta, reunidas sob a denominação de “síndrome
normal da adolescência” ou “normal anormalidade da
adolescência”.
É
um período de transitório entre a pubertade e o estado adulto de
desenvolvimento. Nas diferentes sociedades pode variar como varia o
reconhecimento da condição adulta que se dá a um individuo, e
haverá condições culturais que favorecerão ou dificultarão este
processo de mudanças. Mas a característica básica, é que é um
período que obriga ao indivíduo a reformular os conceitos que têm
sobre si mesmos e que o leva a abandonar sua auto imagen infantil e a
projetar o futuro de sua vida adulta.
Poderemos
citar o sintoma da “Tendência Grupal”:
Em
sua busca pela identidade adolescente, este recorre como um
comportamento defensivo a busca de uniformidade, que poderá brindar
segurança e estima. Há um processo de sobreeidentificação
massiva, onde todos se identifican com cada um. Às vezes é tão
intenso que o indivíduo pertence mais ao grupo daqueles de mesma
idade que ao da família. Se inclinando mais aos ritos e costumes do
grupo com relação a modas, preferencias e costumes.
E
baseado em minhas experiências profissionais e pessoais posso ressaltar como exemplo, as costumeiras
“panelinhas” escolares do colegial, nas quais identificamos
vários grupos, com seus códigos, cotumes, vestimentas,
caracterizando as diversas tribos buscando autoafirmar-se em meio a
tantos outros adolescentes fortalecendo seus processos de
individuação, sejam eles mauricinhos, nerds, hippies, roqueiros,
evangélicos e etc.
REFERÊNCIAS:
ABERASTURY,
Arminda, KNOBEL, Mauricio Knobel. El síndrome de la adolescencia
normal. Un enfoque psicoanalítico.” (Editorial Paidós (1971).
DOMINGUES,
Mariana Rosa Cavalli , DOMINGUES, Taciano Luiz Coimbra, BARACAT,
Juliana. UMA LEITURA PSICANALÍTICA DA ADOLESCÊNCIA: MUDANÇA E
DEFINIÇÃO , REVISTA CIENTÍFICA ELETRÔNICA DE PSICOLOGIA– ISSN:
1806-0625 Ano VII – Número 12 – maio de 2009 – Periódicos
Semestra
FESTUGATO, Veruska de Lima. O Adolescente na ótica da Psicanálise. Acessado em: 25/09/2016 , Disponível em:
http://www.apoioclinica.com.br/noticias/item/291-o-adolescente-na-%C3%B3tica-da-psican%C3%A1lise.html
ZACARÉS,
J. J. (1996). Una revisión de las medidas utilizadas en el estudio
de la formación de la identidad en la adolescencia. In M. Marín &
F. J. Medina(Orgs.), Psicología del desarrollo y de la educación:
la intervenciónpsicoeducativa (pp. 251-263). Sevilla: Eudema.

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