domingo, 2 de outubro de 2016

ADOLESCÊNCIA NA VISÃO PSICANALÍTICA


Na concepção psicanalítica, a adolescência consiste numa etapa da vida em que o indivíduo busca estabelecer sua identidade adulta, o que pressupõe uma identidade anterior, que pode ser chamada de identidade infantil, é um processo definido basicamente como um momento lógico (e não simplesmente cronológico). O entendimento de tal passagem para a vida adulta pressupõe a compreensão de alguns conceitos freudianos fundamentais: conflito psíquico, luto, castração, complexo de Édipo e elaboração psíquica.
O conceito de conflito psíquico é descrito por Laplanche e Pontalis (1994) como a oposição entre exigências internas contrárias, podendo ser manifesto (entre um desejo e uma exigência moral ou entre dois sentimentos contraditórios).

O conceito de elaboração psíquica, por sua vez, é utilizado por esses autores para designar o trabalho empreendido pelo aparelho psíquico, a fim de controlar e dominar as excitações que lhe chegam.
Freud afirma que o luto é um trabalho psíquico que visa a desinibir e libertar o ego da oposição de exigências entre o teste da realidade e uma posição libidinal que “teima” em continuar.
Sobre o complexo de castração, Laplanche e Pontalis (1994) afirmam que está “centrado na fantasia de castração, que proporciona uma resposta ao enigma que a diferença anatômica dos sexos (presença ou ausência de pênis) coloca para a criança.”.
E o complexo de Édipo que, segundo Laplanche e Pontalis (1994), é o “conjunto organizado de desejos amorosos e hostis que a criança sente em relação aos pais”. E esse mesmo complexo seria revivido na puberdade; ou seja, revivido na adolescência. Afastando-se do pai pela ameaça de castração e da mãe pela interdição de realizar o incesto.
O adolescente necessita reeditar sentimentos e vínculos primários em relação às figuras parentais, revisando, assim, seus objetos internos e sua identidade. De acordo com a teoria psicossocial de Erikson, a tarefa mais importante da adolescência é a construção da identidade. O grande desafio do adoslecente é a construção/consolidação da sua identidade, a escolha profissonal que lhe realize, a escolha amorosa e a integração das estruturas socioculturais da sociedade em que se vive.
Maurício Knobel observa que o adolescente vivencia “desequilíbrios e instabilidades extremas” com expressões psicopatológicas de conduta, reunidas sob a denominação de “síndrome normal da adolescência” ou “normal anormalidade da adolescência”.
É um período de transitório entre a pubertade e o estado adulto de desenvolvimento. Nas diferentes sociedades pode variar como varia o reconhecimento da condição adulta que se dá a um individuo, e haverá condições culturais que favorecerão ou dificultarão este processo de mudanças. Mas a característica básica, é que é um período que obriga ao indivíduo a reformular os conceitos que têm sobre si mesmos e que o leva a abandonar sua auto imagen infantil e a projetar o futuro de sua vida adulta. 
 
Poderemos citar o sintoma da “Tendência Grupal”:
Em sua busca pela identidade adolescente, este recorre como um comportamento defensivo a busca de uniformidade, que poderá brindar segurança e estima. Há um processo de sobreeidentificação massiva, onde todos se identifican com cada um. Às vezes é tão intenso que o indivíduo pertence mais ao grupo daqueles de mesma idade que ao da família. Se inclinando mais aos ritos e costumes do grupo com relação a modas, preferencias e costumes.
 
E baseado em minhas experiências profissionais e pessoais posso ressaltar como exemplo, as costumeiras “panelinhas” escolares do colegial, nas quais identificamos vários grupos, com seus códigos, cotumes, vestimentas, caracterizando as diversas tribos buscando autoafirmar-se em meio a tantos outros adolescentes fortalecendo seus processos de individuação, sejam eles mauricinhos, nerds, hippies, roqueiros, evangélicos e etc.
 
REFERÊNCIAS:

ABERASTURY, Arminda, KNOBEL, Mauricio Knobel. El síndrome de la adolescencia normal. Un enfoque psicoanalítico.” (Editorial Paidós (1971).

DOMINGUES, Mariana Rosa Cavalli , DOMINGUES, Taciano Luiz Coimbra, BARACAT, Juliana. UMA LEITURA PSICANALÍTICA DA ADOLESCÊNCIA: MUDANÇA E DEFINIÇÃO , REVISTA CIENTÍFICA ELETRÔNICA DE PSICOLOGIA– ISSN: 1806-0625 Ano VII – Número 12 – maio de 2009 – Periódicos Semestra

FESTUGATO, Veruska de Lima. O Adolescente na ótica da Psicanálise. Acessado em: 25/09/2016 , Disponível em:

http://www.apoioclinica.com.br/noticias/item/291-o-adolescente-na-%C3%B3tica-da-psican%C3%A1lise.html

ZACARÉS, J. J. (1996). Una revisión de las medidas utilizadas en el estudio de la formación de la identidad en la adolescencia. In M. Marín & F. J. Medina(Orgs.), Psicología del desarrollo y de la educación: la intervenciónpsicoeducativa (pp. 251-263). Sevilla: Eudema.
 


 

 






 

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