A
psicomotricidade é
a ciência que tem como objeto de estudo o homem através do seu
corpo em movimento
e
em relação ao seu mundo interno e externo. Está relacionada ao
processo de maturação, onde o corpo é a origem das aquisições
cognitivas,
afetivas
e
orgânicas.
Contrapondo-se
a problemática cartesiana, a qual coloca em oposição “corpo e
alma”, e inclusive afirmando sua unidade, este campo do
conhecimento veio em contrapartida superar esta oposição,
ressaltando a
tripolaridade do homem: o intelectual (aspectos cognitivos), o
emocional (aspectos afetivos) e o motor (aspectos orgânicos),
propondo
uma reeducação psicomotora ao desenvolver o aspecto comunicativo do
corpo, dando ao indivíduo a possibilidade de dominar seu corpo,
economizar suas energias, bem como completar e aperfeiçoar seu
equilíbrio.
Delineia-se agora
a articulação das duas substâncias “alma e corpo”. A “Glandula
Pineal” agora põe a alma em cotato com o corpo e é a responsável
pelo registro anímico das sensações provenientes dele, por outro
lado a alma age sobre a glândula pineal para dar ordens ao corpo e
comandar seus movimentos, o que não impede que o corpo tenha uma
vida própria: sonho, reação de fuga, rubor. Já o medo, a loucura
e a doença configurariam a influencia dos movimentos corporais sobre
a alma. O louco é aquele ser cujo “Eu penso” foi totalmente
subvertido pela vida corporal.
A
consciência bergsoniana, na esteira de Biran fundamentou a
inteligencia prática, fornecendo enfoque ao comportamento
sensório motor.
Com
base nos trabalhos de Charcot, Freud define de maneira rigorosa o
conceito de “subconsciente”, como um mecanismo de papel importante na
construção da personalidade, constituído pelo conjunto de
elementos na socialização progressiva na criança nos primeiros
tempos da infancia, influindo com todo seu peso, no destino dessas
“pulsões”, uma grande parte das quais não terá acesso à vida
consciente. Descobre-se que o indivíduo deixa de estar sujeito aos
ditames da vontade, mas que seus gestos, atitudes, comportamentos e
reações corporais decorrem frequentemente de motivações
inconscientes.
O “Esquema
Corporal” que significa imagem do corpo, traz a pauta o conceito
psicomotor de “autoconsciencia”, e embasado pelos estudos dos
neurologistas informa que com Bonnier (1833) aparece a ideia de uma
representação topografica do corpo, onde as alterações patológicas
determinam o surgimento de certos distúrbios.
Seguido
pela imagem do corpo de Shilder teoria do corpo, onde este é um
resultado das experiências vividas por meio da comunicação com o seu
meio circundante, “o corpo libidinal” de Freud, iluminando
o papel essencial da mãe como pessoa central sob a qual a criança
organiza suas percepções, dirige suas tendências e formula
suas exigências.
Ao
descrever o “tono” enquanto componente fundamental na abordagem
Psicomotora do sujeito humano, Claude Coste apresenta-o como protagonista
nos fenômenos nervosos complexos, participante de todas as funções
motrizes, (equilíbrio, coordenação e disssociação, etc...)
sobretudo veículo de expressão das emoções.
O
papel do psicomotricista portanto, consiste em fazer o sujeito tomar
consciência de suas possibilidades e de seus limites, desenvolvendo
suas potencialidades expressivas pela libertação do peso das
mentiras, das ameaças e das recusas inscritas em seu corpo.
Resenha do livro:
COSTE
Jean-Cloude. A psicomotridade . 2ª Edição. Zahar Editores,
Rio de Janeiro, 1981, 95p.


