sábado, 20 de agosto de 2016

A Construção da NACIONALIDADE

  O nacionalismo é uma ideologia a qual podemos dizer moderna com antecedentes antigos: surgiu numa Europa pós-medieval, a partir da superação dos feudos pelo Mercantilismo, com as Reformas religiosas – fatos históricos estes que permitiram, ou até mais, produziram o surgimento de culturas diferenciadas por toda a Europa, e na América quase embrionariamente nos povos ameríndios quando uniam-se em torno de um chefe para produção e bem estar comum.

  No século XIX, muitos intelectuais decorrente das várias transformações sofridas pelo mundo, ressalto a revolução liberal, passaram a discutir quais seriam os elementos históricos e culturais que poderiam definir a identidade nacional. Muitas vezes, buscando a construção de um argumento forte, os pensadores do nacionalismo procuravam na língua, nos mais diversos comportamentos e na História a definição do perfil comum dos indivíduos pertencentes à nação. Não raro, argumentos de ordem mítica reforçavam um ideal de superioridade a ser compartilhado.

  Napoleão usou a educação como grande ferramenta, instituindo ainda o ensino primário obrigatório, sob a responsabilidade do Estado, reorganizando o ensino na França, este passou a ter como a principal missão a formação de cidadãos capazes de servir ao Estado. A educação foi utilizada como meio de controle do comportamento político e social dos cidadãos. Criou escolas em diversos níveis, o que fortaleceu culturalmente a burguesia e garantiu uma base educacional comum aos franceses de diversas regiões do país.Devemos também destacar que o sentimento nacional provocou transformações profundas na relação das nações entre si. O verdadeiro nacionalista deveria sempre acreditar e perceber que a soberania de sua nação estava acima dos interesses particulares e das ameaças estrangeiras.


  Bresser nos afirma que a ideologia nacionalista prepondera entre os povos, e mesmo emergindo o fator econômico e político como mais abrangente na atual conjuntura do capitalismo global, o NACIONALISMO ainda que muitas vezes disfarçado e negado exerce o papel central, e para exemplificar isso cita o icônico exemplo da Guerra fria, onde o conflito ideológico principal parecia ser liberalismo e socialismo, mas assim que a União Soviética entrou em colapso, ficou claro que o conflito entre EUA e URSS foi mesmo de dois Nacionalismos. (...e que podemos percebê-lo em suaves entrelinhas até hoje)


  Segundo Thiesse (2001-2001, p. 8-9) existe um "check-list", um código de símbolos internacionais que define o que todas as nações devem ter : Uma História, uma série de heróis modelos de valores, uma língua, monumentos culturais, um folclore, lugares memoráveis. uma paisagem típica, especialidades culinárias, costumes. Uma lista superficial de adornos, mas que são essenciais para uma auto-representação.


  Chauí apud Kerber em seu artigo salienta sobre o papel dos meios de comunicação de massa nesta tarefa auxiliando na construção do mito recortando o Período Varguista, o autor aponta para o poder de mobilização do mito numa sociedade “tomada” pelos meios de comunicação de massas, e podem ser utilizados tanto nas mobilizações políticas quanto nas para o consumo (Chauí, 2000, p. 86). Os meios de comunicação de massas foram fundamentais na construção destes elementos simbólicos das nações. Eles tiveram uma grande importância no sentido de tornar as representações sobre a nação não mais restritas a um público letrado, mas difundidas pela totalidade da população.


  E numa visão intimista percebemos que nossas mídias populares atualmente, enquanto prestadores de serviço para nação, não estão fazendo seu dever de casa corretamente...e devem ter lá os seus motivos, não vou aqui entrar na seara da teoria da conspiração. (...é pauta para outros estudos!)


  Bresser nos diz também que o nacionalismo é uma ideologia originalmente burguesa, mas com uma conotação popular, já que só faz sentido quando, capitalistas, trabalhadores e classe profissional superam de alguma forma seus conflitos internos, partilham de um objetivo comum, e se solidarizam na competição com as demais nações.


  Concluindo deixo a pergunta: que faltaria a nós para sentirmos ainda mais brasileiros?!


Deixe seu breve comentário!!!


  Grande abraço e da próxima vez te convido para tomar um café, ou chá se preferir!!! (rsrsrs)










Referencias:

BRESSER-PEREIRA, Luiz Carlos. Nacionalismo no Centro e na Periferia do Capitalismo. São Paulo: Revista Estudos Avançados, 22 62, janeiro-abril 2008 pp.177-178, no dossiêNação e Nacionalismo. Instituto de Estudos Avançados da USP. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ea/v22n62/a12v2262.pdf

KREBER, Alessander. Nacionalismo e ufanismo na Argentina e no Brasil dos anos 1920 e 1930 através da trajetória artística de Carlos Gardel e Carmen Miranda. Disponível em:
http://revistas.unisinos.br/index.php/historia/article/view/5436

Nacionalismo. Wikipédia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Nacionalismo

3 comentários:

  1. com certeza os meios de comunicação desempenham um grandr papel no sentido de "heroificar" alguém. Temos que ficar atentos em entender os motivos por trás do aparentemente banal. Parabéns pelo artigo. Show!

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  2. com certeza os meios de comunicação desempenham um grandr papel no sentido de "heroificar" alguém. Temos que ficar atentos em entender os motivos por trás do aparentemente banal. Parabéns pelo artigo. Show!

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